sexta-feira, 16 de maio de 2008

Semana Anti-Manicomial Reflexão


No último sábado dia 10/05/2008, foi feita o primeiro Movimento Ararense pela Cidadania em Saúde Mental.

A partir do Séc XVII, a loucura passou a ser reprimida, pela vida capitalista que se tinha. Então louco era quem não se enquadrava na maneira de ser adequada às exigências do capital. Desde então pessoas subversivas, eram consideradas loucas, e por muitas vezes internadas em hospicios ( hospitais psiquiátricos= manicômios)Em Dezembro de 1987, saiu a primeira luta anti-manicomial no Brasil. O que se sabe é que o Hospício D. Pedro II foi um marco para a "escória" social.
No ano de 2008, ainda temos esses hospitais psiquiátricos, ou manicômios. Em Araras o Sayão, onde cursos de psicologia da própria cidade não podem entrar, no entanto podemos pensar no por que? Estão escondendo alguma coisa...
Neste mesmo ano, um grupo de alunos se reuniram, para fazer pela primeira vez em Araras essa manifestação, que no primeiro momento foi para informar as pessoas que há outras alternativas, para essas pessoas consideradas "loucas" ainda pela sociedade. Que seriam os Caps. programas substitutivos. Programas de volta para casa, e residência terapêutica... O objetivo é construir uma rede de cuidados onde os "doentes mentais" não são excluídos do seu processo terapêutico, mas ativo.
Gostaria de trazer nessa oportunidade reflexões desenvolvidas com grupos de amigos, onde surgiram algumas questões nessas considerações...
O primeiro ponto é abordar o surgimento dessa exclusão de um determinado grupo social , ou seja, os considerados "loucos" excluídos dessa rede manicomial existente na própria sociedade. E aproveitando fazer uma referência a familia, onde é o cerco inicial da vida, será que a própria família. Até que ponto toda essa questão de loucura não surge da familia.
Segundo ponto que gostaria de abordar, com o objetivo de desconstrução familiar alienada, poderiamos rever pontos como, o próprio sistema capitalista influênciando essa "loucura", os próprios cursos de Psicologia por vezes acabam construindo um "manicômio intelectual", com presença do dualismo. Sendo um pouco mais radical, os próprios psicologos por vezes estão embarcando nessa construção manicomial, e não na desconstrução!
Vejamos a seguinte associação numa intituição onde o próprio curso de Saúde não valoriza o ser humano, como isto poderia estar contribuindo para essa tão dita Luta?
Primeiro deveriamos pensar nos próprios micro poderes como dizia Foulcaut para se mudar alguma coisa primeiro precisamos mudar o Micro e depois o Macro... Enquanto houver essa manipulação do humano como simplesmente Máquina, e a exclusão, não se chegará a lugar nenhum, pois a exclusão, o preconceito, faz com que a diversidade fique cada vez mais silenciada, sem poder estar convivendo num certo lugar, numa certa realidade. Primeiro somos Todos Humanos, independente se é esquizofrênico, Bi- polar, Depressivo, Negro, Homossexual, independente da Idade, todos somos e temos direitos de viver, e de nos expressar!
Devemos primeiramente desmistificar essa hipocresia, essa falsa cidadania, e esse poder do Capital, onde as pessoas apenas servem as máquinas... Hoje em dia até a Psicologia que deveria estar valorizando o humano, também adere por apenas condicionar para o capital.

3 comentários:

Unknown disse...

Muito Boa a sua análise Carol!
Penso que antes de qualquer coisa é necessário derrubarmos os muros manicomiais existentes em nós mesmos...
Acredito que a reflexão aliada à atitude permite a implosão da nossa cultura manicomial e o surgimento de uma NOVA PERSPECTIVA PARA O HUMANO...E QUE A PSICOLOGIA CONTRIBUA E NÃO ATRAPALHE ESSE PROCESSO!

Marcelo disse...

Eu estava lá!
Participei com minha filha dessa passeata!

Marcelo Zanfrili disse...

O ser humano vivência a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.

Albert Einstein.

Somos todos loucos coexistindo em uma sociedade onde somos coniventes para auto destruiçao.

Marcelo zanfrili.